Guia

Cadeado de bike: corrente ou dobrável, e o que conferir antes de comprar

Atualizado em outubro de 2026

Na hora de escolher cadeado, cuidado com uma ideia: a de que a nota de segurança diz quanto tempo a bike fica protegida. Ela não diz. A nota compara cadeados entre si, dentro da escala de cada marca. O tempo que um cadeado aguenta depende de quem tenta, da ferramenta, do lugar e da hora.

Este guia usa como exemplo dois cadeados da Kryptonite: o KryptoLok 912, uma corrente de 120 cm, e o Keeper 585 dobrável, de 85 cm. Os dois são da mesma marca e da mesma faixa de segurança, mas levam a escolhas bem diferentes. O que vale pra eles vale, com ajustes, pra quase todo cadeado de corrente ou dobrável.

Antes de tudo: onde a bike fica parada

A primeira pergunta não é sobre o cadeado. É sobre a parada. Pense em três coisas:

  • quanto tempo a bike fica sozinha;
  • se o lugar é movimentado e iluminado;
  • se ela fica sempre no mesmo ponto ou em pontos diferentes a cada dia.

Uma parada de dez minutos na padaria pede uma coisa. Oito horas no paraciclo do trabalho pedem outra. A noite na rua pede ainda mais. Se possível, evite deixar a bike na rua durante a noite.

Vale também pensar no caminho. Quem pedala dez minutos até o trabalho aguenta mais peso na mochila do que quem pedala uma hora. E quem para em vários lugares no mesmo dia precisa de um cadeado rápido de tirar e de guardar, porque vai repetir o gesto muitas vezes.

Corrente, dobrável e as outras famílias

Este guia trata de dois formatos. A corrente é uma sequência de elos com o fechamento na ponta. O dobrável é um conjunto de barras curtas presas por articulações, que se fecha como uma régua de carpinteiro.

Existem outras famílias, como o cadeado em U e a trava de disco. Elas ficam fora deste guia, que trata de corrente e dobrável.

O que a nota de segurança quer dizer

A Kryptonite dá a cada cadeado uma nota numa escala própria. Pela régua da marca:

Nota na escala da KryptoniteFaixa, pela marca
4 a 6segurança moderada
7 e 8segurança alta

O KryptoLok 912 tem 6, no topo da moderada. O Keeper 585 dobrável tem 5, no meio dela. Os dois ficam na mesma faixa, e a diferença é de um ponto.

A nota não viaja entre marcas

Uma nota 6 da Kryptonite não é igual a uma nota 6 de outra fabricante. Cada marca cria a sua régua e decide o que conta. Como conselho meu, use a nota pra comparar cadeados da mesma marca, e não pra comparar marcas.

E nenhuma nota é garantia. A própria escala é da fabricante. Ela não substitui um ensaio independente.

Selo de certificadora

Algumas certificadoras testam cadeados e dão um selo, à parte da escala da marca. A ficha do Keeper 585 dobrável mostra o selo Sold Secure Bicycle Bronze, de 2022. Se esse selo continua valendo hoje, fora da página da marca, não está confirmado.

Quando um cadeado mostra selo, vale olhar o ano e conferir na própria certificadora. Selo antigo pode ter sido renovado ou não.

Espessura e peso, lado a lado

As medidas e os pesos de cada um, pela marca:

ItemKryptoLok 912 (corrente)Keeper 585 (dobrável)
Comprimento120 cm85 cm
Elo9 mm na página, 9,5 mm na tabela de 2025 da marca3 mm
Materialaço manganês 3T, elos de quatro facesaço endurecido
Peso, pela marca3,04 kg0,77 kg
Nota na escala da marca65
Suporte pro quadronão listadoincluído
Chavesduas, tipo Iduas

A corrente pesa quase quatro vezes mais. São 2,27 kg de diferença, que você sente em cada subida se o cadeado for junto. A espessura do 912, aliás, aparece com dois números nas próprias fontes da Kryptonite, e a marca não explica qual vale. Eu não escolho um deles.

Comprimento: o que dá pra prender

O comprimento decide o que entra na volta. Os manuais da Kryptonite pedem a mesma coisa: passar o cadeado por um objeto fixo e bem ancorado, pelo quadro e pela roda traseira.

São 120 cm na corrente e 85 cm no dobrável. Se cada um fecha a volta, depende do poste, do paraciclo e da bike. Como conselho meu, antes de comprar, passe uma fita métrica em volta do poste ou da grade onde você costuma parar, somando o quadro e a roda.

Como prender

O manual das correntes da Kryptonite resume o uso em poucos passos, e o dos dobráveis segue a mesma linha:

  • objeto fixo, quadro e roda traseira na mesma volta;
  • a menor folga possível;
  • tirar a chave e conferir se fechou;
  • preferir lugar iluminado e com movimento.

A menor folga possível é o que o manual da Kryptonite pede. Como conselho, antes de sair, puxe o cadeado e veja quanto sobra.

Longe do chão

O manual de correntes, no texto em inglês, pede o cadeado fora do chão e a entrada da chave virada pra baixo. Na versão em português do mesmo manual, a tradução diz para o chão, que é o contrário. Fique com o original: fora do chão.

Onde levar o cadeado

Aqui a corrente e o dobrável se separam de vez. O Keeper 585 dobrável vem com suporte pro quadro. O KryptoLok 912 não tem suporte listado na ficha da marca.

Pra corrente, sobram a mochila, o ombro e o bagageiro. Outra saída é deixar a corrente presa no lugar onde a bike fica todo dia. Pro dobrável, o suporte resolve, desde que caiba no quadro.

Montar o suporte do dobrável

O manual do Keeper 585 dobrável lista o kit: suporte, dois parafusos, duas arruelas, duas cintas plásticas e dois parafusos plásticos. E orienta:

  • limpar o tubo onde o suporte vai;
  • preferir os furos do suporte de garrafa, se o quadro tiver;
  • sem furos, usar as cintas;
  • deixar a cabeça do cadeado virada pra cima;
  • conferir se nada encosta no pedal, na direção, no freio ou no câmbio;
  • sacudir a bike pra testar.

Ao explicar a montagem, a Kryptonite acrescenta que a tira de borracha do suporte se ajusta pra quem destrava com a mão direita ou com a esquerda.

Quadro de carbono e aperto

O manual não dá torque pros parafusos, não diz em que diâmetro de tubo o suporte cabe e não fala de carbono. Como conselho meu, em quadro de carbono, não aperte no chute. Confira com a fabricante do quadro ou leve numa oficina.

Chave: o número que você precisa anotar

As chaves dos dois Kryptonite deste guia têm um número. É com ele que você pede reposição pelo Key Safe. Pelas regras do programa:

  • a marca manda um único par de duas chaves padrão, durante a vida do cadeado;
  • cobra US$ 6,95 de envio e manuseio;
  • chaves especiais e uso comercial ou aluguel ficam de fora;
  • o cadastro da chave não ativa o programa contra furto, que é outro registro.

A entrega num endereço brasileiro não está confirmada, e a marca avisou atrasos em 6 de outubro de 2026.

Garantia: o que ela cobre

A garantia da Kryptonite pra cadeados é limitada e vitalícia. Na prática:

  • cobre defeito de material e de fabricação;
  • vale pro primeiro dono e não passa pra frente;
  • pede o produto, o comprovante e a descrição do defeito pra inspeção;
  • a marca decide entre reparar, trocar ou devolver o dinheiro;
  • não cobre desgaste normal, mau uso, instalação ou manutenção errada, nem dano por ambiente ruim;
  • o frete de devolução fica com você.

Pra quem mora no Brasil, eu não conheço um atendimento autorizado da marca pra esses modelos. Há um pedido de garantia on-line, global, com foto e número da chave.

Programa contra furto não é seguro

A Kryptonite tem um programa de ressarcimento, o ATPO. Ele paga se o cadeado for aberto ou rompido à força, e só pra quem cadastrou o cadeado em até 30 dias da compra. A própria marca diz que ele não é seguro de bicicleta.

O Brasil não está na lista de países do programa, atualizada em março de 2026. E o furto precisa acontecer num país da lista. As páginas do 912 e do Keeper mostram valores em dólar, euro e libra, mas, daqui, eu não contaria com eles.

Seguro é outra conversa

Se a bike vale muito pra você, o caminho é um seguro de bicicleta, contratado à parte. Como conselho meu, leia o que o contrato pede sobre o cadeado e o local da parada antes de assinar. É o contrato que diz o que vale, e não a página do cadeado.

Lubrificar: o cilindro agradece

Os dois manuais pedem a mesma rotina, várias vezes ao ano:

  • produto à base de silicone, grafite ou Teflon;
  • entrada da chave pra cima;
  • aplicar, esperar cinco minutos;
  • virar o cadeado sobre um pano por alguns minutos.

A página de manutenção da Kryptonite vai além: duas a três gotas, abrir e fechar cinco vezes e, se ainda estiver duro, mais uma ou duas gotas. Na corrente, o lubrificante vai na entrada da chave e no gancho do fechamento. No dobrável, na entrada da chave, no encaixe e na ponta da barra.

O WD-40 comum fica de fora

A Kryptonite descreve o WD-40 comum como solvente, que não substitui o lubrificante. O manual da corrente desaconselha o WD-40 sem detalhar. O do dobrável separa: o comum não, o lubrificante da linha WD-40 sim.

Limpar elos e capa

Pra corrente, a marca orienta tirar a sujeira dos elos com desengraxante num pano limpo. O atrito de metal com metal pode tirar o acabamento e facilitar a ferrugem. A capa de nylon do 912 não tem instrução de lavagem, nem o corpo do dobrável. Como conselho meu, pano úmido, sem mergulhar o cadeado, e secar antes de guardar.

Chuva e maresia

A marca diz que a frequência de manutenção sobe com a exposição, principalmente chuva, neve e sal. Quem mora perto do mar ou pedala muito na chuva deve lubrificar mais vezes do que quem guarda a bike em casa.

Quando o cadeado pede atenção

A marca não dá um prazo de troca. Como conselho meu, alguns sinais pedem revisão antes de o cadeado travar na rua:

  • a chave entra dura ou gira com esforço, mesmo depois de lubrificar;
  • um elo ou uma barra está amassado ou com ferrugem que não sai no pano;
  • a capa da corrente rasgou e o metal encosta direto na pintura;
  • o suporte do dobrável ficou frouxo e o cadeado balança no quadro.

Se for defeito de material ou de fabricação, a garantia é o caminho. Se for desgaste, ela não cobre, e a troca fica por sua conta.

O que as fichas não contam

Mesmo com manual e ficha, algumas respostas ficam de fora. A Kryptonite não informa quanto o Keeper 585 mede dobrado, nem o tipo de cilindro dele, nem o material da capa. Pro 912, a espessura do elo aparece com dois números. Nenhum dos dois tem torque de montagem, limite de diâmetro de tubo ou instrução de lavagem.

Isso não quer dizer que a resposta não existe. Quer dizer que, se um desses pontos decide a sua compra, vale perguntar à marca antes, por escrito.

Qual formato pra qual parada

Juntando o que a Kryptonite indica com a nota de cada um:

SituaçãoFormato que encaixa melhor
parada rápida na cidade, cadeado sempre na bikedobrável, como o Keeper 585
poste grosso ou grade largacorrente longa, como o 912
bike sempre no mesmo paraciclo, dá pra deixar o cadeado lácorrente
quem não quer peso nas costasdobrável com suporte
bike muitas horas sozinhanota mais alta, e a moderada pode não bastar

Pro Keeper, a própria marca fala em paradas rápidas na cidade. Pra muitas horas na rua, nenhum dos dois passa da faixa moderada.

O primeiro dia com o cadeado

Como conselho prático, no dia em que abrir a caixa:

  • anote o número da chave e guarde a anotação fora da bike;
  • separe a segunda chave da primeira;
  • treine prender a bike em casa, com quadro e roda na mesma volta;
  • se for dobrável, monte o suporte e confira pedal, freio e câmbio;
  • guarde a nota fiscal, que é o comprovante da garantia.

Equipe de cadeados e segurança