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"Tem navegação": o que isso quer dizer num GPS de bike

Atualizado em outubro de 2026

"Navegação" no anúncio de um GPS de bike quase nunca é o que o celular faz no carro.

Três coisas com o mesmo nome

A mesma palavra cobre três aparelhos bem diferentes.

  1. Sem rota. O aparelho registra por onde você passou e mostra velocidade, distância e tempo. Ele sabe onde você está, mas não sabe pra onde você vai. É o caso do iGPSPORT BSC100S.
  2. Linha de rota. Você carrega um percurso pronto e a tela mostra uma linha, com a sua posição em cima dela. Não tem rua, não tem nome, não tem rio. É o caso do iGPSPORT BSC200S.
  3. Mapa. A tela mostra ruas, trilhas e nomes embaixo da linha. É o mais parecido com o celular, e mora em aparelhos de outra categoria.

Quando o vendedor diz "tem navegação", pergunte qual das três.

De onde vem a rota

O aparelho de linha não inventa caminho. Alguém traça o percurso antes: você, num aplicativo, ou outro ciclista que compartilhou o pedal dele.

Esse percurso viaja num arquivo. Os dois formatos mais comuns são GPX e TCX, e Strava e Komoot exportam nos dois. No BSC200S, o arquivo entra pelo aplicativo da iGPSPORT no celular e de lá vai pro aparelho.

Na prática: a rota se resolve em casa, com o celular na mão. Na estrada, o aparelho só mostra.

O aviso de curva

Uma linha na tela obriga você a olhar pra baixo em todo cruzamento. O aviso de curva resolve isso: perto da virada, o aparelho mostra pra que lado é.

O BSC200S tem aviso de curva. O BSC100S, que não carrega rota, não tem o que avisar.

Saiu do caminho

Errou a entrada? No carro, o celular refaz a rota em segundos. Isso tem nome: recálculo.

Num aparelho de linha, o normal é mais simples. Ele mostra que você saiu da linha e deixa a volta por sua conta. No BSC200S, os documentos da marca não concordam sobre o recálculo, então não conte com ele.

O que o BSC200S tem, e ajuda, é o retorno ao início: ele aponta o caminho de volta pro ponto de partida.

O que o GPS mede sozinho

Sem nenhum acessório, um GPS de bike entrega:

  • velocidade e distância, pelo satélite;
  • tempo de pedal;
  • subida acumulada, pelo satélite ou pelo barômetro (o sensor que mede a altitude pela pressão do ar).

Os dois iGPSPORT têm barômetro. Isso ajuda na altimetria, que é onde o satélite sozinho mais erra.

A primeira localização do dia depende de o aparelho achar os satélites. Quem tem AGPS (uma ajuda que vem do celular) acha mais rápido. O BSC200S tem; o BSC100S, não.

O que pede sensor

Todo o resto vem de fora, por um sensor preso na bike ou no corpo:

NúmeroDe onde vem
Batimentocinta no peito ou no braço
Cadência (giros do pedal por minuto)sensor no pedivela
Velocidade dentro de túnel ou no rolosensor no cubo da roda
Potência (a força que você põe no pedal, em watts)medidor no pedivela, no pedal ou no cubo

Os sensores falam Bluetooth, ANT+ ou os dois. O aparelho precisa falar o mesmo "idioma". Nos dois iGPSPORT, cinta de batimento e sensor de cadência podem usar um ou outro. Já o medidor de potência, no BSC100S, exige ANT+. No BSC200S, o ANT+ está confirmado e o Bluetooth não.

Antes de comprar o sensor, veja na caixa dele quais idiomas ele fala. E lembre que nenhum dos dois aparelhos traz sensor junto.

Então, qual

Você só quer registrar o pedal e ver os números? O aparelho sem rota resolve e a bateria dura mais.

Você segue percursos que outra pessoa traçou, em estrada ou trilha? A linha com aviso de curva basta.

Você pedala em lugar que não conhece e quer decidir o caminho na hora? Aí é mapa, e nenhum dos dois é o seu aparelho.

Equipe de ciclismo