Shimano PD-M520: o pedal de encaixe pra começar, desde que você treine antes
Atualizado em outubro de 2026
Antes de tudo, saiba o que o Shimano PD-M520 não faz: ele não solta o seu pé sozinho. Perdeu o equilíbrio com o pé preso? O pedal continua segurando. Quem solta é você, girando o calcanhar pra fora. O manual da Shimano diz isso com todas as letras, e eu prefiro repetir aqui a deixar você descobrir parado num sinal.
Dito isso, o M520 é o pedal que muita gente escolhe pra entrar no mundo do "clip". E dá pra entender o motivo.
O que ele é
O M520 é um pedal de encaixe do sistema SPD, aquele em que a sapatilha tem dois furos na sola. Ele prende dos dois lados (não precisa procurar a face certa com o pé), tem corpo de alumínio e eixo de aço cromo-molibdênio, um aço mais resistente que o pessoal chama de "cromoli". O mecanismo é selado, e a força com que ele segura o pé é regulável.
Encaixe SPD dos dois lados, com corpo de alumínio.
Ele nasceu na terra: o catálogo antigo da Shimano coloca o M520 como pedal de mountain bike. Hoje a própria marca fala em MTB e estrada. Isso não faz dele um pedal de speed "de verdade". O sistema de estrada da Shimano é o SPD-SL, de três furos, e a sapatilha de um não serve no outro. Quer dizer só que tem muita gente pedalando no asfalto com SPD, e funciona.
O par pesa 380 gramas, pelo catálogo da Shimano. É peso de catálogo: a marca não diz se a peça que está hoje na loja pesa exatamente isso.
O que vem na caixa e o que não vem
Falo aqui do M520 preto (código EPDM520L), vendido em par. Segundo a Shimano, ele vem com o par de tacos SM-SH51. Taco é a pecinha de metal que você parafusa na sola da sapatilha e que encaixa no pedal. Mesmo assim, confira no anúncio se os tacos e os parafusos estão na caixa.
O que não vem: sapatilha. Parece óbvio, mas é a conta que mais pega quem está começando. Sem sapatilha SPD de dois furos, o M520 é só um pedal pequeno e escorregadio. Coloque o preço dela na soma.
Refletor também não é item certo. O manual trata o refletor SM-PD22 como peça opcional.
E cuidado com os nomes parecidos. PD-MT520 e PD-M530 são outros pedais. Existe M520 branco e prata, com outros códigos. E há kit que junta pedal e sapatilha, com outro preço.
A chave certa
O M520 é instalado com chave de pedal de 15 mm, aquela chave fina, de boca. O aperto que a Shimano pede fica entre 35 e 55 N·m (newton-metro, a medida da força de aperto). É bastante força.
Instalação com chave de pedal de 15 mm.
E aqui tem um aviso do manual que eu acho ótimo: a chave Allen de 6 mm não dá aperto suficiente nesse pedal. Ou seja, não conte só com o canivete de ferramentas. Quem não tem a chave de 15 mm pede pra loja instalar ou compra a chave junto.
A rosca anunciada é a de 9/16 de polegada. Confira se é a do seu pedivela (o braço onde o pedal é rosqueado).
O pé preso e a mola
O taco SH51, o que vem na caixa, solta de um jeito só: calcanhar pra fora. Existe outro taco, o SM-SH56, vendido à parte, que solta em mais direções. Ele facilita a vida de quem está aprendendo, mas a Shimano avisa que nem ele garante que o pé saia sozinho numa queda. Já os tacos SH52 e SH55 não servem neste pedal.
A força da mola se ajusta com uma chave Allen de 3 mm. A regra do manual é simples: a mesma tensão nos dois lados dos dois pedais (são quatro ajustes), sem passar do limite marcado. Pra quem está aprendendo, mola mais solta dá menos susto.
O taco vai preso na sapatilha com Allen de 4 mm e aperto final de 5 a 6 N·m. Ele gasta com o uso, e taco gasto precisa ser trocado. E, se um dia o pedal ficar duro de girar, o manual manda procurar uma oficina, não abrir em casa.
Lama, estrada e manutenção
A Shimano promete três coisas no M520: encaixe fácil, por causa do desenho compacto e aberto, lama e sujeira que saem em vez de entupir, e pouca manutenção. São promessas de fabricante, sem número pra conferir. No desenho aberto eu acredito porque dá pra ver. Quanto ele dura depende de quanto e de onde você pedala.
Uma coisa ninguém provou: que pedal de encaixe faz você andar mais rápido. A marca fala em eficiência e em passar melhor a força pro pedal, e para por aí. Um ciclista que veio do sistema de estrada conta que, em pedais de menos de 100 km, não sentiu diferença entre um e outro. É um caso, não uma medição. Mas ajuda a ajustar a expectativa.
E o irmão mais caro?
O PD-M540 usa o mesmo sistema e pesa 28 gramas a menos no par. Custa bem mais. Pra quem está começando, eu não vejo nesses 28 gramas motivo pra pagar a diferença. Ela rende mais numa sapatilha melhor.
Meu conselho: nos primeiros dias, treine parado, apoiado numa parede ou num poste, e depois num lugar plano e vazio. Encaixa, solta, encaixa, solta, com os dois pés. É o que o manual manda, e é o que evita o tombo bobo no primeiro semáforo.